BMJ TCG - Trading Card Games

Pokémon TCG Pocket ganha sistema de garantia de raridade, deck por código e Card Dex unificada

Fala guys!

O Pokémon TCG Pocket recebeu ontem à noite, dia 29 de julho às 22h no horário de Brasília, a atualização que entrou junto com a nova coleção Mestres do Céu. E olha, o pacote de mudanças é bem maior do que o normal: são 3,5 GB de download, migração do jogo pra uma versão nova da Unity, compartilhamento de deck por código, unificação da Card Dex e, a mais importante de todas, um sistema de garantia de raridade ao abrir pacote.

Essa última é a que muda o jogo de verdade, e é sobre ela que eu quero falar primeiro.

Mega Rayquaza ex, Ruler of the Skies (Divulgação/The Pokémon Company)
Mega Rayquaza ex, Ruler of the Skies (Divulgação/The Pokémon Company)

Chega de abrir cinquenta pacotes e não ver nada

A regra nova, no texto oficial, funciona assim: se determinadas condições forem cumpridas ao abrir um pacote, o próximo pacote da mesma expansão vem com uma carta de quatro diamantes ou superior garantida.

Traduzindo pro português de mesa: o jogo passou a ter um sistema de “Piedade” como a gente chama nos jogos gachas ou uma proteção anti-azar. Antes, cada abertura era um sorteio independente. Você podia abrir vinte pacotes e não ver nada acima de três diamantes, porque estatisticamente isso é perfeitamente possível quando cada evento não conversa com o anterior. Agora existe um contador rodando por trás, e quando ele estoura, o jogo te entrega a carta boa.

Eu vou te falar, isso era o pedido número um da comunidade desde o lançamento, e com razão. O modelo antigo punia exatamente quem jogava mais, porque quem abre muito pacote é quem mais sente sequência ruim. E olha o detalhe importante: a Pokémon não divulgou quais são as condições. Não sabemos se o gatilho é número de pacotes abertos, tempo sem raridade alta, ou uma combinação. O comunicado só diz pra checar as notícias dentro do jogo depois do lançamento.

Essa opacidade me incomoda. Piso de sorte só cumpre a função de acalmar o jogador se o jogador souber onde fica o piso. Se eu não sei que faltam três pacotes pro garantido, eu continuo abrindo no escuro, e o efeito psicológico de segurança some. Espero que apareça um contador visível na tela, nem que seja discreto.

Pra quem não conhece: como funciona a raridade no Pocket

Vale explicar, porque o Pocket usa uma escala própria e quem só joga o card game físico se perde.

No Pocket, a raridade é medida em diamantes e depois em estrelas. Um diamante é a carta comum. Dois e três diamantes são as intermediárias. Quatro diamantes é onde ficam as cartas ex, que são as que realmente importam pra montar deck. Acima disso vêm as de estrela, que são as versões com arte alternativa, arte completa e as douradas, aquelas que existem mais pra vitrine do que pra jogo.

Então quando o comunicado fala em garantir quatro diamantes ou superior, ele está garantindo carta jogável, não só carta bonita. Isso é bem melhor do que parece à primeira vista, porque significa que o sistema tem impacto direto em quem monta deck, e não só em quem completa coleção.

Mega Rayquaza ex, Ruler of the Skies (Divulgação/The Pokémon Company)
Mega Rayquaza ex, Ruler of the Skies (Divulgação/The Pokémon Company)

Deck por código: o Pocket finalmente copiou o que o físico já fazia

A segunda novidade é o compartilhamento de deck por código de padrão 2D, aquele quadradinho que você aponta a câmera e lê. É o mesmo sistema que o jogo já usava pra pedido de amizade e batalha privada, agora aplicado a lista de deck.

Na prática, você monta um deck, gera o código, manda pro grupo do WhatsApp e o pessoal recria a lista inteira sem digitar carta por carta. Quem escreve sobre deck, quem faz vídeo e quem só quer copiar a lista do amigo ganhou muito tempo de vida.

Aqui cabe uma comparação entre os jogos que a gente cobre, porque essa funcionalidade não nasceu agora. O Pokémon TCG Live já usa código de deck em texto faz tempo. O Magic Arena resolveu isso lá atrás com o famoso “importar da área de transferência”, que é provavelmente a melhor implementação do mercado. O Pocket chegou atrasado nessa festa, mas escolheu o formato certo pra um jogo de celular: código visual funciona melhor em tela pequena e permite compartilhar por foto, print ou até por camiseta, se você for esse tipo de pessoa.

Card Dex unificada, que é a correção de um incômodo antigo

A terceira mudança é técnica e passou meio despercebida, mas conserta uma chatice real. Quando uma carta aparece em mais de um pacote, ela agora é registrada na Card Dex de todos os pacotes correspondentes. E a mudança vale retroativamente, pras cartas que você já tem.

Se você é do tipo que abre o app hoje e vê contador de coleção completado sem ter feito nada, é isso. Não é bug, é a Pokémon consertando a contabilidade.

3,5 GB e a mudança de motor

O download pesado se explica: o jogo foi migrado pra versão mais recente da Unity, o motor em que ele é feito. A Pokémon diz que a troca é pra melhorar o serviço daqui pra frente.

Migração de motor é o tipo de coisa que o jogador só percebe quando dá errado. Se rodar liso, ninguém comenta. Se der crash, trava de animação ou consumo de bateria maior, aí vira reclamação em massa. Fica o aviso prático: se o seu celular é mais modesto, vale reservar espaço e atualizar no wi-fi, porque 3,5 GB no plano de dados dói.

Como agrado pelo tamanho do download e pela manutenção, a Pokémon distribuiu 36 ampulhetas de pacote, que dão seis aberturas completas. É pouco perto do que a maioria vai querer abrir no lançamento de um set novo, mas é de graça e não se recusa carta grátis.

E o Ruler of the Skies?

Ruler of the Skies, Pokémon TCG Pocket (Divulgação/The Pokémon Company)
Ruler of the Skies, Pokémon TCG Pocket (Divulgação/The Pokémon Company)

A expansão em si a gente já cobriu por aqui: são 233 cartas, com 78 secret rares, e o Mega Rayquaza ex como estrela absoluta.

E tem uma coincidência de calendário que vale registrar. O Mega Rayquaza ex também é a carta principal do Storm Emeralda, o set físico japonês que sai amanhã, dia 31 de julho. Ou seja, a Pokémon colocou o mesmo Pokémon como cara de dois lançamentos na mesma semana, um no celular e um na loja. Isso é estratégia de marketing bem amarrada, e o efeito colateral é fácil de prever: milhões de pessoas vão pular Mega Rayquaza ex no app, achar bonito, e uma fatia delas vai atrás da versão física.

Se quiser ver a versão de papel dela, já está na galeria do site: Mega Rayquaza ex de Storm Emeralda.

Pra quem não conhece: o que é “pity” e por que todo mundo pedia

O termo que a comunidade usa pra isso é pity, que em inglês é literalmente “pena”, “dó”. A ideia nasceu nos jogos de gacha japoneses e descreve um mecanismo simples: o jogo tem memória das suas aberturas ruins e, depois de um certo número delas, te compensa com uma garantia.

Sem pity, cada abertura é o que a estatística chama de evento independente. A chance de você tirar uma carta rara no pacote 50 é exatamente a mesma do pacote 1, e o fato de você ter falhado 49 vezes não te deve absolutamente nada. É matematicamente justo e emocionalmente insuportável.

Com pity, o jogo passa a ter um teto de azar. Você continua podendo ter sorte a qualquer momento, mas existe um ponto em que a sorte deixa de ser opcional. A maioria dos jogos grandes de celular usa alguma variação disso hoje, e o Pocket era um dos poucos títulos desse tamanho que ainda operava no modelo antigo.

Como os outros card games digitais resolveram isso

Comparar ajuda, porque cada jogo dos que a gente cobre encarou o mesmo problema de um jeito.

O Magic Arena foi por outro caminho: em vez de garantir raridade no pacote, ele criou proteção contra duplicata e uma moeda de compensação, os wildcards, que você acumula abrindo pacote e troca pela carta exata que quiser. É provavelmente o sistema mais generoso do mercado pra quem quer montar um deck específico.

O Pokémon TCG Live tem crédito de troca, que funciona parecido: carta repetida vira moeda e moeda vira a carta que você precisa.

O Master Duel, de Yu-Gi-Oh!, usa o sistema de pontos de criação, que também permite fabricar a carta na raridade que você quiser.

Repare no padrão: os três resolveram pelo lado da conversão, deixando você transformar excedente em escolha. O Pocket escolheu o lado da probabilidade, mexendo na chance em vez de te dar moeda. É uma solução mais tímida, porque continua sendo sorte, só que com piso. Ainda não existe no Pocket nenhum jeito de você simplesmente decidir “quero essa carta e vou fabricar ela”.

Eu acho que esse é o próximo passo natural, e é o que eu gostaria de ver. Mas uma coisa de cada vez.

A minha leitura sobre o pity

Vou ser direto com vocês: o sistema de garantia é a mudança mais importante que o Pocket recebeu desde o lançamento, e não é nem perto.

O jogo tinha um problema estrutural que nenhuma quantidade de carta nova resolvia. Quando a única forma de conseguir a carta que você quer é sorteio puro, sem piso, o jogador em sequência ruim não fica só sem carta, ele fica com raiva. E jogador com raiva desinstala. Eu vi isso acontecer com gente do meu círculo várias vezes no primeiro ano.

Com piso, a conversa muda de “eu tenho azar” pra “eu estou a tantos pacotes do garantido”. É a diferença entre frustração e planejamento, e é a razão pela qual praticamente todo gacha grande do mercado adotou algum tipo de piso. O Pocket era um dos poucos títulos desse porte que ainda resistia.

Agora, o ponto que eu não vou deixar passar: garantia sem transparência é meia garantia. Enquanto a Pokémon não abrir as condições exatas, a comunidade vai fazer o que sempre faz, que é planilha coletiva de milhares de aberturas pra engenharia reversa da regra. É trabalho que não deveria precisar existir. Publica a condição e pronto.

O que fazer com isso na prática

Três conselhos rápidos pra quem joga.

Um: antes de gastar as 36 ampulhetas, decida qual pacote do Ruler of the Skies você quer perseguir. Como a garantia é por expansão e o próximo pacote garantido precisa ser da mesma expansão, ficar pulando entre pacotes de sets diferentes pode atrapalhar o acúmulo. Concentre.

Dois: gere o código do seu deck e guarde. Vai facilitar sua vida quando for pedir ajuda ou mostrar lista pra alguém, e evita aquele vai e volta de print de tela.

Três: se você tinha parado de abrir por frustração, esse é o momento de voltar e testar. A regra nova favorece justamente quem abre em volume dentro da mesma expansão.

A gente vai acompanhar como a comunidade mapeia as condições do garantido nas próximas semanas e volta aqui com o número quando ele estiver sólido. Enquanto isso, o portal de Pokémon TCG tem o resumo do formato físico e a galeria de cartas segue recebendo o Storm Emeralda traduzido.

E aí, o que vocês acharam? O sistema de garantia chegou tarde demais ou salvou o jogo na hora certa? Alguém já sentiu na pele o garantido cair? Me conta nos comentários quantos pacotes vocês abriram até ver a diferença, que eu quero muito montar esse mapa com vocês.

Fontes: comunicado oficial do Pokémon TCG Pocket dentro do jogo, PokéBeach e PTCGPocket.gg.

Compartilhar
WhatsApp
Facebook
X
LinkedIn

Deixe seu comentário

Política de PrivacidadeTermos de UsoSobreAnuncieContato