Fala guys! Se tem uma pergunta que trava iniciante em Magic, é essa: qual formato eu jogo? A pessoa chega na loja, vê uma mesa de quatro pessoas com deck gigante, outra mesa de dois com deck pequeno, ouve alguém falando “isso é Modern” e outro falando “isso é Pauper”, e vai embora sem entender nada.
Esse guia resolve isso. Eu vou explicar todos os formatos principais de Magic, o que cada um permite, quanto custa entrar, onde se joga no Brasil, e no fim vou te ajudar a escolher pelo seu perfil. Bora lá.
Pra quem não conhece: o que é um formato
Um formato é um conjunto de regras que responde três perguntas:
Quantas pessoas jogam? Alguns formatos são de dois jogadores. Outros de quantos jogadores couberem na mesa.
Quais cartas são permitidas? Alguns aceitam só as coleções mais recentes. Outros aceitam praticamente tudo que já foi impresso desde 1993.
Como se monta o deck? O tamanho mínimo muda, o limite de cópias muda, e em alguns formatos você nem monta deck em casa: monta na hora, com pacotes abertos ali mesmo.
Pontos de vida? Dependendo do formato jogado, os pontos de vida mudam e existem até outras formas de derrotar seus oponentes
Só isso. Todo o resto é consequência dessas quatro respostas.
E existe uma divisão maior que organiza tudo: construído contra limitado. No construído você chega com um deck pronto de casa. No limitado você recebe pacotes lacrados no evento e monta o deck ali, com o que sair. São experiências completamente diferentes do mesmo jogo.
Standard: a porta de entrada
O Standard é o formato mais próximo do que a Wizards considera “o Magic atual”. Ele aceita apenas as coleções mais recentes, e por isso é o mais barato de acompanhar e o mais fácil de estudar: o universo de cartas que você precisa conhecer é pequeno.
Regras: dois jogadores, deck de no mínimo 60 cartas, sideboard de até 15, máximo de 4 cópias de cada carta com exceção de terrenos básicos. Uma partida costuma durar em torno de 20 minutos.

A rotação. Uma vez por ano, depois do pré-lançamento da coleção de outono, as quatro coleções mais antigas saem do formato. É isso que mantém o Standard pequeno e é isso que assusta quem investe: a carta que você comprou cara pode virar peso de papel em Standard daqui a dois anos. Ela continua legal em outros formatos, mas o preço costuma cair.
As coleções atualmente legais em Standard são: MARVEL Super Heroes, Secrets of Strixhaven, Teenage Mutant Ninja Turtles, Lorwyn Eclipsed, Avatar: The Last Airbender, Marvel’s Spider-Man, Edge of Eternities, FINAL FANTASY, Tarkir: Dragonstorm, Aetherdrift, Foundations, Duskmourn: House of Horror, Bloomburrow, Outlaws of Thunder Junction, Murders at Karlov Manor, The Lost Caverns of Ixalan e Wilds of Eldraine.
Pra quem é: pra quem está começando, pra quem gosta de acompanhar o que é novo, e pra quem quer competir sem precisar caçar carta antiga.
Pra quem não é: pra quem odeia a ideia de o deck perder validade. Se a rotação te incomoda, pule direto pro pro Commander.
Pioneer: o Standard que não acaba
O Pioneer nasceu justamente pra resolver a queixa da rotação. Ele usa o mesmo formato de deck do Standard, 60 cartas com sideboard de 15, mas o universo de cartas é bem maior: vai das coleções do bloco de Ravnica de 2012 pra frente, e não rotaciona.
Na prática, isso significa que o deck que você montar hoje continua legal daqui a cinco anos. Cartas saem só por banimento, que é pontual.
Pra quem é: gosta de deck de 60 cartas, mas não quer refazer o deck todo ano. É o formato recomendado pra quem já jogou Standard e quer o passo seguinte sem entrar no preço do Modern.
O custo: intermediário. Tem carta cara, mas nada perto dos terrenos duais do Legacy.
Modern: o formato de quem gosta de potência
O Modern vai bem mais fundo: aceita coleções de 2003 pra cá, incluindo as coleções Modern Horizons, que são feitas especificamente pra ele. Também não rotaciona.
O resultado é um formato rápido, cheio de combo e de deck muito refinado. Partida de Modern costuma ser decidida em poucos turnos, e a diferença entre jogar bem e jogar mal aparece rápido.
Pra quem é: pra quem já entende bem o jogo e quer o desafio técnico. Modern não é um formato hostil, mas é um formato que pune erro pequeno.
O custo: alto. É o formato construído mais caro que ainda tem presença forte em loja.
Legacy e Vintage: a história inteira do jogo
Esses dois eu vou tratar juntos porque a lógica é a mesma e a diferença é de grau.
O Legacy aceita praticamente todas as cartas já impressas, com uma lista de banidas. O Vintage aceita ainda mais: quase nada é banido, e as cartas mais poderosas da história são restritas, ou seja, permitidas em uma única cópia.

São formatos deslumbrantes de assistir e proibitivos de entrar. Os terrenos duais originais e as cartas da chamada Reserved List, que a Wizards se comprometeu a nunca reimprimir, custam valores que não fazem sentido pra maior parte das pessoas.
A real: no Brasil, Legacy e Vintage existem em bolsões pequenos e dedicados, com proxy sendo aceito em ambiente casual. Se você quer experimentar, procure um grupo local antes de comprar qualquer coisa.
Pauper: o formato mais honesto do Magic
O Pauper tem uma regra só, e ela é linda de simples: só valem cartas que já foram impressas em raridade comum.
É deck de 60 cartas, com sideboard de 15, e o universo de cartas é enorme, porque comum tem em toda coleção desde sempre. Só que como comum é a raridade mais barata do jogo, o formato inteiro custa uma “fração” do resto. (vou botar em aspas aqui porque ele tem andado bem carinho ultimamente)
E aqui vem a parte que surpreende quem nunca jogou: Pauper não é um formato ruim ou raso. Ele tem metagame definido, banlist própria e decks de combo bem sofisticados. Barato não é sinônimo de simples.
Pra quem é: pra quem quer competir de verdade com orçamento apertado, e pra quem gosta de construção de deck.
Commander: o mais jogado do mundo
Se você entrar numa loja num sábado à tarde, a maioria das mesas vai estar jogando Commander. Não é exagero, é o formato mais popular do jogo.

As regras que definem ele:
Deck de exatamente 100 cartas, e uma cópia de cada, com exceção dos terrenos básicos. Isso se chama singleton, e é o que faz cada partida ser diferente da anterior.
Um comandante. Você escolhe uma criatura lendária (ou um planeswalker que permita isso) pra ser o seu comandante. Ele começa numa área separada chamada zona de comando, virado pra cima, à vista de todo mundo.
Identidade de cor. Toda carta do seu deck só pode usar símbolos de mana que também aparecem no seu comandante. A identidade de cor vem de qualquer parte da carta, incluindo o custo e o texto. Carta incolor é sempre permitida.
O imposto do comandante. Você pode conjurar seu comandante da zona de comando pagando o custo normal, mais dois de mana adicionais por cada vez anterior que ele foi conjurado de lá naquela partida. E se ele fosse parar no cemitério, no exílio, na mão ou no grimório, você pode mandar de volta pra zona de comando.
Dano de comandante. Um jogador que levar 21 ou mais de dano de combate do mesmo comandante perde a partida, independente de quantos pontos de vida ainda tiver.
Número de jogadores ilimitados na mesma mesa, e a partida costuma durar em torno de duas horas. Geralmente commander jogam mesas com 4 pessoas, porém se couber mais gente, a diversão é ainda maior.
Pra quem é: pra quem gosta de jogar em grupo, de conversar durante a partida, de deck com personalidade. É o formato mais social do Magic e provavelmente o mais fácil de achar mesa no Brasil.
O detalhe do custo: Commander pode ser o mais barato ou o mais caro dos formatos, dependendo de você. Como é singleton, você precisa de uma cópia de cada carta, e existem decks pré-construídos prontos pra jogar. Por outro lado, otimizar um deck de Commander é um buraco sem fundo, porque sempre tem uma carta melhor.
Se quiser explorar comandantes e ver o que está sendo jogado, a área de Commander aqui do site tem busca de comandante, e o deckbuilder de Magic monta a lista já conferindo a identidade de cor.
Brawl: o Commander do Standard
O Brawl pega a ideia do Commander e aplica ela no universo de cartas do Standard. Deck singleton, com um comandante, mas usando só o que é legal no Standard atual.
É um formato bom pra quem gosta da estrutura do Commander e quer algo mais barato e mais rápido, já que o universo pequeno derruba o preço. E como acompanha o Standard, ele rotaciona.
A verdade sobre o Brawl no Brasil: é um formato que existe mais no digital do que na mesa. Achar mesa de Brawl presencial numa loja brasileira é raro. Se ele te interessa, o caminho é o Arena.
Limitado, parte 1: Booster Draft
Agora mudamos completamente de categoria. No limitado você não leva deck de casa.
No Booster Draft, um grupo de jogadores (o padrão é oito) senta em volta de uma mesa. Cada um abre um pacote, escolhe uma carta, e passa o resto pro vizinho. Recebe o pacote do outro lado, escolhe outra, passa de novo. Isso se repete até as cartas acabarem, e depois com mais dois pacotes.

No fim, cada um tem por volta de 45 cartas escolhidas e monta um deck de no mínimo 40 cartas com elas, adicionando terrenos básicos à vontade. Aí todo mundo joga entre si.
Vou te falar por que eu acho o Draft o melhor formato do Magic pra aprender o jogo: ele nivela. Não importa quem tem a coleção maior, todo mundo abriu os mesmos três pacotes. O que decide é ler o que está passando na mesa, entender o que é bom naquele conjunto de cartas e construir bem. É pura habilidade.
E é o formato mais barato de jogar competitivamente por sessão, porque você paga a entrada, joga a tarde inteira, e leva as cartas pra casa.
Limitado, parte 2: Selado
O Selado é o primo mais simples. Você recebe uma quantidade de pacotes lacrados, abre todos, e monta um deck de no mínimo 40 cartas com o que saiu. Sem passar pacote, sem ler a mesa, só você e o que a sorte te deu.
É o formato dos pré-lançamentos, aqueles eventos que a loja faz no fim de semana antes de uma coleção sair oficialmente. E é, na minha opinião, a melhor forma de conhecer uma coleção nova: você abre um monte de carta, joga com elas na mão pela primeira vez e entende o que a coleção quer fazer.
Dica pra quem nunca foi: pré-lançamento é o evento mais amigável que existe em Magic. Todo mundo está descobrindo as cartas juntas, ninguém sabe o metagame porque ele não existe ainda, e o clima é de festa. Se você quer dar o primeiro passo em loja, comece por aí.
Existem ainda variações como Pick-Two Draft, em que você escolhe duas cartas por vez em vez de uma, e as versões em dupla, Team Booster Draft e Team Sealed, jogadas em times de três.
Os formatos digitais
Se você joga no MTG Arena, existe uma camada de formatos que não existe no papel, e isso confunde bastante.
Alchemy é o Standard digital com cartas exclusivas do Arena e com rebalanceamento: a Wizards pode mudar o texto de uma carta se ela estiver forte ou fraca demais. Isso é impossível no papel, obviamente.
Historic é o formato não rotativo do Arena, que acumula tudo que já entrou na plataforma, incluindo o conteúdo exclusivo do digital.
Timeless é o formato mais permissivo do Arena, o mais próximo de um Legacy digital, com poucas cartas banidas e as mais poderosas restritas.
Vale entender uma coisa antes de investir tempo: coleção de Arena não se converte em coleção de papel e vice-versa. São dois patrimônios separados. Muita gente descobre isso tarde e se frustra.
Os formatos casuais que valem conhecer
Tem uma camada de formatos que quase nunca aparece em torneio mas que faz muito sucesso em mesa de amigo.
Two-Headed Giant é dois contra dois, com cada dupla compartilhando um total de pontos de vida e jogando os turnos juntos. É excelente pra apresentar o jogo pra alguém: a pessoa nova senta ao lado de alguém experiente e vai aprendendo enquanto joga.
Planechase adiciona cartas de plano gigantes que mudam as regras da partida a cada troca. Archenemy coloca um jogador contra todos os outros, com o vilão recebendo cartas de esquema poderosas pra compensar.
Oathbreaker é um primo do Commander com deck de 60 cartas, um planeswalker como comandante e uma mágica assinatura. Commander Limited e Commander 1v1 são variações do formato principal.
E tem o Cube, que não está na lista oficial mas é um dos formatos mais amados por quem joga há muito tempo: alguém monta à mão uma coleção personalizada de cartas, e o grupo faz draft com ela. Cada cube é único.
A tabela que resume tudo
| Formato | Jogadores | Deck | Cartas permitidas | Custo de entrada |
|---|---|---|---|---|
| Standard | 2 | 60+ e sideboard 15 | Coleções recentes, rotaciona | Baixo a médio |
| Pioneer | 2 | 60+ e sideboard 15 | De 2012 pra cá | Médio |
| Modern | 2 | 60+ e sideboard 15 | De 2003 pra cá | Alto |
| Legacy | 2 | 60+ e sideboard 15 | Quase tudo, com banidas | Muito alto |
| Vintage | 2 | 60+ e sideboard 15 | Tudo, com restritas | Muito alto |
| Pauper | 2 | 60+ e sideboard 15 | Só raridade comum | Baixo |
| Commander | Ilimitado | 100, singleton | Quase tudo | Variável |
| Brawl | 2 ou mais | Singleton com comandante | Standard | Baixo |
| Booster Draft | 2 a 8 | 40+, montado na hora | O que sair nos pacotes | Por evento |
| Sealed | 2 | 40+, montado na hora | O que sair nos pacotes | Por evento |
Como funciona a lista de banidas
Todo formato construído tem uma lista de banidas e restritas, e ela é o mecanismo que a Wizards usa pra corrigir o jogo sem reimprimir nada.
Carta banida não pode ser usada naquele formato. Carta restrita, que só existe no Vintage, pode ser usada em uma única cópia.
Os anúncios saem em datas programadas, divulgadas com antecedência, e valem por formato: uma carta pode ser banida em Modern e continuar perfeitamente legal em Commander.
Aqui entra uma opinião de mercado que eu acho justo dar, porque envolve dinheiro: banimento derruba preço na hora. Se você compra carta pensando em valor, precisa acompanhar as datas de anúncio, porque uma carta cara de Modern pode perder boa parte do valor num único comunicado. Não é motivo pra parar de comprar, é motivo pra não concentrar patrimônio numa carta só.
Vale lembrar também que o Commander tem uma lista própria, gerida separadamente do resto dos formatos, com uma lógica diferente porque o formato é multiplayer e social.
Qual formato escolher, pelo seu perfil
Aqui vai o resumo prático. Acha o seu caso.
“Nunca joguei Magic na vida.” Vá num pré-lançamento e jogue Sealed. Você aprende jogando, com gente na mesma situação, e sai com cartas.
“Quero jogar com meus amigos, sem competição.” Commander, sem dúvida. Compre um deck pré-construído, cada amigo compra outro, e vocês já têm quatro decks equilibrados entre si.
“Quero competir, mas tenho pouco dinheiro.” Pauper. Formato barato, competitivo de verdade, e as cartas não rotacionam.
“Quero competir sério e tenho orçamento.” Pioneer se você quer que o investimento dure, Modern se você quer o desafio técnico maior.
“Gosto de acompanhar o que é novo.” Standard. É o formato que conversa com o calendário de lançamento.
“Não quero comprar carta nenhuma.” MTG Arena. Comece pelo Standard digital e veja se o jogo te pega antes de gastar.
“Quero o formato com mais mesa disponível perto de mim.” Commander, quase certeza. Depois dele, Standard e Draft.
Onde se joga o quê, no Brasil
A lista oficial de formatos é uma coisa. O que realmente tem mesa na loja perto de você é outra, e ninguém conta isso pra iniciante.
Na prática, a distribuição brasileira costuma ser mais ou menos assim.
Commander domina. É o formato com mais mesa aberta, mais grupo de WhatsApp e mais evento casual em qualquer cidade média pra cima. Se você mora numa cidade menor e só consegue jogar um formato, provavelmente vai ser esse.
Draft e pré-lançamento acontecem em ciclo. Toda coleção nova traz uma janela de eventos de limitado, e essa é a melhor hora de aparecer numa loja nova, porque tem gente que só joga nessas datas.
Standard varia muito por cidade. Em capital grande tem liga semanal. Em cidade menor, às vezes não tem ninguém.
Pioneer e Modern vivem em grupos organizados. Quem joga costuma se conhecer e marcar. Não é formato de aparecer no sábado e achar mesa, é formato de entrar no grupo primeiro.
Pauper cresceu muito no Brasil justamente pelo preço, e tem comunidade ativa e torneio próprio em várias regiões.
Conselho que vale mais que qualquer tabela: antes de escolher formato, pergunte na loja mais perto de você o que tem mesa. Não adianta montar um Modern lindo e não ter contra quem jogar.
Quanto custa entrar, com sinceridade
Não vou dar valor em real, porque preço de carta muda toda semana e câmbio muda todo dia. Mas dá pra dar a ordem de grandeza relativa, que é o que interessa pra decidir.
Se a gente colocar o Pauper como referência, e chamar ele de 1x, a escala aproximada fica assim: Standard em torno de 2x a 4x, Pioneer em torno de 4x a 8x, Modern em torno de 8x a 15x, e Legacy facilmente 30x ou mais, puxado por um punhado de cartas antigas que nunca foram reimpressas.
O Commander escapa dessa escala porque depende inteiramente de você. Um deck pré-construído sai por um valor de entrada razoável e já é jogável. O mesmo deck otimizado pode custar mais que um Modern.
E o limitado tem uma lógica própria: você paga por evento, não pelo acervo. Do ponto de vista de quanto custa uma tarde de Magic competitivo, Draft costuma ser o mais eficiente que existe.
Uma dica prática de compra: comece pelas cartas que servem em mais de um formato. Um terreno que funciona em Pioneer, Modern e Commander é um investimento muito mais seguro do que uma carta que só serve numa lista específica de Standard que rotaciona ano que vem.
Uma comparação que só quem cobre cinco jogos consegue fazer
Vale olhar como os outros card games da casa resolvem esse mesmo problema, porque a comparação ilumina bastante o desenho do Magic.
Pokémon TCG tem essencialmente um formato competitivo, o Standard, definido pela marca de regulamentação impressa na carta. É mais simples e mais fácil de explicar, mas dá bem menos escolha ao jogador: se você não gosta do Standard atual, não tem pra onde ir dentro do oficial.
Yu-Gi-Oh! também concentra quase tudo num formato avançado único, com a banlist fazendo o trabalho pesado de regulação, e formatos alternativos como o Speed Duel ocupando o espaço casual.
Disney Lorcana adotou uma solução parecida com a do Magic, com um formato de coleções recentes que rotaciona, o Core Constructed, e um formato que aceita tudo, o Infinity Constructed.
Star Wars Unlimited segue por caminho semelhante, com formato construído principal e limitado nos eventos de lançamento.
O que o Magic tem que os outros quatro não têm, e isso é fato e não opinião, é a quantidade de formatos oficialmente suportados ao mesmo tempo, com listas de banidas mantidas separadamente pra cada um. É um custo enorme de manutenção pra Wizards, e é também a razão de o jogo conseguir atender ao mesmo tempo quem quer gastar pouco, quem quer competir alto e quem só quer jogar com os amigos no sábado.
A contrapartida é exatamente a dor que motivou esse guia: é confuso pra quem chega. Nenhum dos outros quatro jogos exige que o iniciante escolha entre dez caminhos antes de comprar a primeira carta.
Um erro que quase todo iniciante comete
Vou terminar com o conselho que eu daria pra mim mesmo se pudesse voltar no tempo.
Não compre carta antes de decidir o formato. Parece óbvio e quase ninguém faz. O que acontece é: a pessoa entra no jogo, acha uma carta bonita, compra, acha outra, compra, e seis meses depois tem uma caixa cheia de cartas que não formam deck legal em lugar nenhum.
O caminho eficiente é o contrário: escolha o formato, escolha uma lista, compre a lista. Depois que você tiver um deck funcionando e souber que gosta daquilo, aí sim vale começar a colecionar por gosto.
E se você não consegue decidir, jogue limitado por dois meses. Draft e Sealed não exigem decisão nenhuma de coleção, você joga com o que abriu, e nesse meio tempo você conhece o pessoal da loja e descobre naturalmente qual formato tem gente.
Pra quem não conhece: o sideboard
Aparece em quase todo formato construído e nunca ninguém explica pra iniciante.
O sideboard é um conjunto de até 15 cartas extras que você leva junto com o deck principal. Entre as partidas de um mesmo confronto, você pode trocar cartas do deck por cartas do sideboard, na proporção que quiser, desde que o deck volte ao tamanho mínimo.
A ideia é elegante: o primeiro jogo você joga no escuro, sem saber o que o adversário tem. Depois que descobre, você ajusta. Se ele mostrou um deck cheio de artefatos, você entra com as cartas que destroem artefato e tira as que não serviam para nada naquele confronto.
Por isso partida de torneio construído é melhor de três: o formato só faz sentido com o ajuste no meio. E por isso saber usar sideboard separa jogador mediano de jogador bom mais do que a escolha do deck.
Um erro clássico de iniciante: trocar cartas demais. Você não precisa usar as 15. Trocar três ou quatro cartas certeiras costuma ser mais eficiente do que desmontar metade do deck e perder a consistência dele.
Como se lê uma carta
Se você chegou aqui sem nunca ter segurado uma carta de Magic, esse bloco te economiza uma hora de confusão.
No alto à esquerda fica o nome. No alto à direita fica o custo de mana, que são aqueles símbolos coloridos e o número. O número representa mana de qualquer cor, e os símbolos coloridos representam a cor específica que você precisa produzir.
No meio fica a arte. Logo abaixo dela vem a linha de tipo, que diz o que aquela carta é: criatura, mágica instantânea, feitiço, artefato, encantamento, planeswalker, terreno, batalha. Se for criatura, vem também o subtipo, tipo “Humano Soldado”.
Abaixo disso vem o quadro de texto, com as habilidades. E se for criatura, no canto inferior direito ficam dois números separados por barra: poder e resistência. Poder é quanto ela causa de dano, resistência é quanto dano ela aguenta em um turno.
No rodapé ficam o código da coleção, o número da carta e a raridade, indicada pela cor do símbolo da coleção: preto para comum, prata para incomum, dourado para rara e alaranjado para rara mítica. É esse símbolo que decide se a carta serve no Pauper.
Uma observação que engana muita gente que vem de Pokémon ou de Yu-Gi-Oh!: em Magic, o terreno é uma carta do deck. Não existe zona separada de energia. Isso significa que uma parte grande do seu deck, tipicamente entre 17 e 24 cartas num deck de 60, é só terreno. E significa que você pode ter mão ruim por excesso ou por falta deles, o que é uma das características mais marcantes e mais polêmicas do jogo.
O calendário de lançamento
Entender o ritmo da Wizards ajuda a decidir quando comprar.
O jogo lança várias coleções por ano, divididas em duas famílias: as do Multiverso Magic, com mundos e personagens próprios do jogo, e as de Universes Beyond, que são colaborações com outras franquias. Nos últimos anos entraram coisas como Senhor dos Anéis, Final Fantasy, Marvel e Avatar: A Lenda de Aang.
Cada coleção grande costuma vir com um ciclo previsível: anúncio, temporada de revelação de cartas, pré-lançamento nas lojas, e lançamento oficial. E é o lançamento da coleção de outono que dispara a rotação do Standard.
Do ponto de vista de bolso, dois momentos importam. O pré-lançamento é quando o preço do single está mais alto e mais volátil, porque ninguém sabe ainda o que é bom. E as semanas seguintes ao lançamento, quando o mercado se acalma, costumam ser um momento melhor pra comprar. Isso não é regra de mercado garantida, é padrão observado, e vale como orientação e não como promessa.
Aqui cabe uma opinião de casa sobre política de empresa: a quantidade de produto que a Wizards lança por ano hoje é alta o bastante pra cansar o bolso de quem tenta acompanhar tudo. Eu acho que a resposta saudável, e é o que eu recomendo, é escolher um formato e ignorar deliberadamente o que não afeta ele. Tentar comprar tudo em Magic é a receita mais rápida pra você desistir do jogo por exaustão financeira.
Três perguntas rápidas que sempre aparecem
“Posso misturar cartas em idiomas diferentes no mesmo deck?” Sim, em geral pode. Em torneio, o juiz pode pedir que você saiba explicar o texto de uma carta em idioma estrangeiro, e o texto oficial que vale é o do banco de dados, não a tradução impressa.
“Carta velha vale em formato novo?” Vale, desde que a coleção dela esteja dentro do recorte do formato. E vale mesmo que a versão que você tem seja de uma impressão antiga, porque o que importa é o nome da carta, não a impressão específica.
“Preciso de sleeve?” Em torneio, sim, e todas iguais e opacas. Fora de torneio, é escolha sua, mas carta de Magic desvaloriza rápido com dano de borda, então sleeve é seguro barato.
Onde acompanhar
Pra manter esse guia útil ao longo do tempo, vale ter três referências na mão: o site oficial da Wizards pra lista de coleções legais em cada formato, o anúncio de banidas e restritas pras mudanças, e o Scryfall pra consultar carta.
Por aqui, o portal de Magic tem o resumo do que está acontecendo, a galeria de cartas reúne as coleções, a área de Commander ajuda a achar comandante, e o deckbuilder monta a lista conferindo legalidade.
Aviso padrão: coleções entram e saem de formato, e a lista de banidas muda. Tudo que está aqui reflete o que estava publicado oficialmente quando eu escrevi. Antes de comprar carta cara, confira no site oficial.
Fechando
Resumindo o guia inteiro em três linhas: limitado é o melhor lugar pra começar, porque nivela e não exige coleção. Commander é onde tem mais gente, então é o formato mais fácil de achar mesa e mais legal na minha humilde opinião. E Pauper é o melhor custo-benefício se o que você quer é competir de verdade sem estourar o orçamento.
E aí, o que vocês acharam? Qual formato vocês jogam, e qual vocês largaram no meio do caminho? Tem alguém aí que entrou pelo Commander e nunca mais saiu, ou o contrário, que começou no Standard e migrou? Me conta nos comentários, porque essa é uma conversa que eu gosto de ler.
Fontes: páginas oficiais de formatos da Wizards of the Coast (magic.wizards.com), incluindo as páginas de Standard, Pioneer, Modern e Commander, e o anúncio oficial de banidas e restritas.








