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Chromatic Sphere e mais 9 cartas perdem a habilidade de mana na nova regra do Magic

Chromatic Sphere, Jumpstart (Divulgação/Wizards of the Coast)
Chromatic Sphere, Jumpstart (Divulgação/Wizards of the Coast)

Fala guys!

O Chromatic Sphere não tem mais habilidade de mana. Nem o Millikin, nem a Selvala, nem os cinco Eggs de Odyssey. A Wizards publicou o boletim de atualização de regras de O Hobbit, que sai hoje, e no meio das regras novas de mecânica veio uma mudança funcional que atinge dez cartas antigas de uma vez.

Não é errata de texto pra deixar mais bonito. É mudança de como a carta funciona na mesa, e ela vale a partir do lançamento.

O que a regra 605.1a passou a dizer

A regra 605.1a é a que define o que conta como habilidade de mana. A atualização acrescentou um critério novo: habilidade ativada que move carta pra biblioteca ou tira carta da biblioteca, como custo ou como efeito, não é habilidade de mana, mesmo que ela produza mana.

Isso pega comprar carta, moer carta e qualquer coisa que mexa no baralho. E a regra não considera efeitos de substituição que possam mudar o que a habilidade faz, com exceção dos que substituem a própria habilidade.

Chromatic Sphere é o caso que explica a mudança

Chromatic Sphere, Jumpstart (Divulgação/Wizards of the Coast)
Chromatic Sphere, Jumpstart (Divulgação/Wizards of the Coast)

O texto do Chromatic Sphere é “{1}, {T}, sacrifique este artefato: adicione um mana de qualquer cor. Compre um card”. Ele produz mana e compra, e até ontem isso era habilidade de mana.

Habilidade de mana tem um privilégio que quase nada no Magic tem: ela não usa a pilha e pode ser ativada e resolvida no meio da conjuração de uma mágica ou da resolução de uma habilidade. É por isso que você consegue pagar um custo com ela depois de já ter começado a conjurar.

O problema aparece quando a habilidade mexe em zona escondida no meio dessas janelas. A própria Wizards usou o exemplo extremo: você está procurando na biblioteca com um Evolving Wilds, acha o Panglacial Wurm e decide conjurar ele de dentro da busca. Se você quisesse usar o Chromatic Sphere pra pagar, teria que comprar um card enquanto estivesse ativamente vasculhando a própria biblioteca.

Panglacial Wurm, Coldsnap (Divulgação/Wizards of the Coast)

Panglacial Wurm, Coldsnap (Divulgação/Wizards of the Coast)

As regras tinham resposta pra isso. Tecnicamente a ordem da biblioteca não muda enquanto você procura. Só que a resposta era contraintuitiva, e na prática ninguém mantém a ordem do baralho enquanto procura. A mesma bagunça acontecia com Aetherworks Marvel e Future Sight, que deixam você olhar o topo da biblioteca.

Com a regra nova, essas habilidades usam a pilha e só podem ser ativadas em velocidade de instantâneo. Ou seja: fora da conjuração, ativação ou resolução de mágica e habilidade, e fora do pagamento de custo pra atacar ou bloquear. As cartas ganharam texto de lembrete “(Ative somente como um instantâneo.)” pra deixar isso visível no Gatherer.

As dez cartas afetadas

Chromatic Sphere, Jumpstart (Divulgação/Wizards of the Coast)Millikin, Assassin's Creed (Divulgação/Wizards of the Coast)Selvala, Explorer Returned, Murders at Karlov Manor Commander (Divulgação/Wizards of the Coast)Deranged Assistant, Innistrad Remastered (Divulgação/Wizards of the Coast)

Chromatic Sphere, Jumpstart, Millikin, Assassin's Creed, Selvala, Explorer Returned, Murders at Karlov Manor Commander, Deranged Assistant, Innistrad Remastered (Divulgação/Wizards of the Coast)

Charmed Pendant, Odyssey (Divulgação/Wizards of the Coast)Darkwater Egg, Odyssey (Divulgação/Wizards of the Coast)Mossfire Egg, Odyssey (Divulgação/Wizards of the Coast)Shadowblood Egg, Odyssey (Divulgação/Wizards of the Coast)

Charmed Pendant, Odyssey, Darkwater Egg, Odyssey, Mossfire Egg, Odyssey, Shadowblood Egg, Odyssey (Divulgação/Wizards of the Coast)

Skycloud Egg, Odyssey (Divulgação/Wizards of the Coast)Sungrass Egg, Odyssey (Divulgação/Wizards of the Coast)

Skycloud Egg, Odyssey, Sungrass Egg, Odyssey (Divulgação/Wizards of the Coast)

A lista completa é essa: Chromatic Sphere, Millikin, Deranged Assistant, Selvala, Explorer Returned, Charmed Pendant e os cinco Eggs de Odyssey (Darkwater, Mossfire, Shadowblood, Skycloud e Sungrass).

Repare no padrão. Todas elas fazem a mesma coisa em formatos diferentes: produzem mana e, no mesmo pacote, compram ou moem. Os Eggs literalmente têm o mesmo texto com pares de cor distintos, e o Millikin e o Deranged Assistant compartilham texto idêntico. Só a Selvala foge do molde, porque ela revela o topo da biblioteca de cada jogador e depois faz todos eles comprarem.

Uma carta ficou de fora da mudança funcional mas entrou de carona no texto de lembrete: o Deathrite Shaman. A primeira habilidade dele já não era habilidade de mana, porque exige alvo, e outras cartas na mesma situação também vão ganhar o lembrete.

Deathrite Shaman, Ravnica Remastered (Divulgação/Wizards of the Coast)
Deathrite Shaman, Ravnica Remastered (Divulgação/Wizards of the Coast)

Pra quem não conhece: por que “habilidade de mana” é uma categoria à parte

Se você joga há pouco tempo, essa distinção parece burocracia. Ela não é.

No Magic, quase tudo que você ativa vai pra pilha, e o oponente tem chance de responder antes de resolver. Habilidade de mana é a exceção: ela resolve na hora, sem passar pela pilha, e ninguém pode responder a ela.

Isso existe por um motivo prático. Se cada vez que você virasse uma Ilha pra fazer mana o jogo abrisse janela de resposta, uma partida levaria o dia inteiro. Então a regra diz: se a habilidade produz mana, não tem alvo e não é habilidade de lealdade, ela resolve imediatamente.

O efeito colateral é que habilidade de mana pode ser usada em momentos onde nada mais pode: no meio da conjuração de uma mágica, no meio da resolução de uma habilidade, enquanto você paga um custo. E é exatamente essa liberdade que causava a confusão quando a habilidade também mexia na biblioteca.

Com a mudança, essas dez cartas voltam a se comportar como qualquer outra habilidade ativada: você ativa antes, deixa o mana na reserva e conjura depois.

O que muda na prática

Na maioria das partidas, quase nada. Se você ativa o Chromatic Sphere antes de conjurar, tudo funciona igual. A diferença aparece em três situações.

Uma: o mana agora fica exposto. Como a habilidade usa a pilha, o oponente pode responder entre a ativação e a conjuração da mágica que você pretendia pagar.

Duas: acabou o truque de gerar mana no meio de uma busca de biblioteca, que era justamente o caso do Panglacial Wurm.

Três: pagar custo de ataque ou bloqueio com essas cartas deixa de ser possível, porque aquele momento não é velocidade de instantâneo.

Sobre onde isso pesa mais, prefiro ficar no que dá pra afirmar: o Chromatic Sphere e o Deranged Assistant são legais em Pauper, e as dez são legais em Legacy, Vintage e Commander. O quanto cada mesa vai sentir depende do que ela estava fazendo com o truque, e isso os resultados de torneio vão mostrar nas próximas semanas.

O texto antes e o texto depois

A Wizards publicou os textos comparados, e vale reproduzir dois deles porque é ali que a mudança fica concreta.

O Millikin era assim:

{T}, moa um card: adicione {C}. (Para moer um card, coloque o card do topo do seu grimório no seu cemitério.)

E ficou assim:

{T}, moa um card: adicione {C}. (Ative somente como um instantâneo. Para moer um card, coloque o card do topo do seu grimório no seu cemitério.)

A habilidade continua fazendo exatamente a mesma coisa. O que mudou foi quando ela pode ser ativada. O Deathrite Shaman, que já não tinha habilidade de mana por causa do alvo, também ganhou o “(Ative somente como um instantâneo.)” na primeira habilidade, e outras cartas que produzem mana exigindo alvo seguem o mesmo caminho.

Esse é o tipo de ajuste que a Wizards costuma fazer sem alarde, e é por isso que o boletim de atualização existe: ele é o documento que separa “mudou o texto” de “mudou o funcionamento”. Aqui mudou o funcionamento, mesmo que o texto principal tenha ficado igual.

Storied não é o historic com nome novo

Um detalhe do artigo de mecânicas que merece registro: o storied conta artefatos, permanentes lendárias e Sagas, que é exatamente o mesmo conjunto que formava o historic. E mesmo assim a Wizards diz que o historic não está voltando.

A diferença é de arquitetura. Historic era um “batch”, uma categoria que várias cartas checavam. Storied é uma habilidade estática que checa uma vez e trava o resultado. Quando você atinge a marca, a enduring story é sua pelo resto da partida, e nada tira ela de você: pode perder a permanente com storied, pode perder todos os artefatos, pode perder tudo. A designação fica.

A enduring story em si não é habilidade nem objeto. É só um fato sobre você que outras cartas conseguem enxergar, como o Thorin Oakenshield, que dá ward pros seus artefatos e criaturas quando você tem uma.

O paralelo com os outros jogos da casa

Reescrever o texto de cartas antigas pra fechar buraco de regra não é exclusividade do Magic. O Yu-Gi-Oh! passou por um mutirão desses quando adotou o Problem-Solving Card Text, que reescreveu praticamente o catálogo inteiro pra deixar explícito o que era custo, o que era efeito e o que era condição. A diferença é de escala e de motivo: lá a reescrita foi de forma, aqui foram dez cartas com mudança de comportamento.

É uma vantagem estrutural do Magic ter esse documento saindo junto de cada set. Você abre um arquivo, lê o que mudou e sabe o que discutir na mesa no fim de semana. Nem todo card game entrega isso com essa regularidade.

Reach sobe na ordem das palavras-chave

Sire of Seven Deaths, Foundations (Divulgação/Wizards of the Coast)
Sire of Seven Deaths, Foundations (Divulgação/Wizards of the Coast)

Mudança sem efeito nenhum em regra, mas que muda a leitura da carta: o reach passa a aparecer mais cedo na ordem em que as palavras-chave são impressas. A Wizards quer que ele fique mais fácil de notar, já que na mesa física não existe o gráfico de arco e flecha que o MTG Arena mostra.

O exemplo que eles usaram é o Sire of Seven Deaths. O bloco de habilidades dele era “first strike, vigilance / menace, trample / reach, lifelink / ward”. Agora começa com “reach, first strike”. A carta é a mesma, só a ordem de leitura mudou, e isso vale pras reimpressões daqui pra frente.

Uvilda troca de contador pra não confundir com o hone

Uvilda, Dean of Perfection, Strixhaven (Divulgação/Wizards of the Coast)
Uvilda, Dean of Perfection, Strixhaven (Divulgação/Wizards of the Coast)

O Hobbit introduz os hone counters, marcadores que vão em Equipamento e dão +1/+0 pra criatura equipada. Só que a Uvilda, Dean of Perfection, de Strixhaven, já usava um contador com esse nome pra outra coisa completamente diferente.

Pra evitar a confusão, a Uvilda passa a usar “refine counters”. O funcionamento é idêntico ao que estava impresso: você exila uma mágica instantânea ou feitiço da mão com três contadores, remove um por manutenção e conjura ela custando {4} a menos quando o último sai. Mudou só o nome do marcador.

O resto do boletim: recruit, storied e batalhas que não são Siege

Smaug the Magnificent, O Hobbit (Divulgação/Wizards of the Coast)
Smaug the Magnificent, O Hobbit (Divulgação/Wizards of the Coast)

O boletim também formaliza as mecânicas novas do set. O recruit virou a regra 701.70 e é uma ação de palavra-chave: você compra uma carta, descarta uma carta, e se a descartada não for um terreno, você cria uma ficha de criatura Humano Soldado branca 1/1.

O storied virou a regra 702.195. É uma habilidade estática que fica observando duas coisas: se você controla uma permanente com storied e se você controla três ou mais artefatos, permanentes lendárias e/ou Sagas. Quando as duas ficam verdadeiras, você ganha uma “enduring story” pelo resto da partida, e ela não sai mais, mesmo que você perca todas aquelas permanentes.

Ainda entraram no livro de regras os hone counters (122.1j) e as batalhas que não são Siege (310.7, 310.8 e 310.12), com uma ação baseada em estado nova que manda a batalha pro cemitério do dono quando a defesa dela chega a zero.

Quando isso passa a valer

Tudo entra em vigor com o lançamento de O Hobbit, hoje, 14 de agosto. As regras oficiais completas estão na página de regras da Wizards, e em caso de divergência entre o boletim e o documento oficial, vale o documento.

Vale lembrar que o boletim veio quatro dias depois do anúncio de banidas e restritas de 10 de agosto, então quem estava conferindo o Standard talvez tenha deixado essa parte passar.

E aí, você tinha alguma dessas dez cartas no seu deck de Commander ou de Legacy? Fala aí nos comentários como isso mexe com a sua lista. Pra conferir o texto atualizado de cada uma, dá pra usar a galeria de Magic e montar no deckbuilder.

Fontes: The Hobbit Update Bulletin e o artigo de mecânicas de O Hobbit, ambos da Wizards of the Coast. Imagens das cartas via Scryfall.

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