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Banlist do Magic: 3 cartas banidas no Standard e The Fantasticar fora do Legacy e restrita no Vintage

Stormchaser’s Talent, Badgermole Cub e The Fantasticar, as cartas atingidas pela banlist do Magic de 10 de agosto (Divulgação/Wizards of the Coast)
Stormchaser’s Talent, Badgermole Cub e The Fantasticar, as cartas atingidas pela banlist do Magic de 10 de agosto (Divulgação/Wizards of the Coast)

Fala guys!

Saiu a banlist do Magic de 10 de agosto, e ela veio pesada onde ninguém tinha mexido nos últimos meses. O Standard perdeu três cartas de uma vez, e o Legacy e o Vintage tiveram que lidar com a mesma carta, cada um do seu jeito. Todo o resto ficou parado.

As mudanças já valem desde hoje, e a próxima atualização está marcada pra 12 de outubro de 2026.

O que a banlist do Magic mudou hoje

  • Standard: Badgermole Cub, Stormchaser's Talent e Gran-Gran, banidas
  • Legacy: The Fantasticar, banida
  • Vintage: The Fantasticar, restrita
  • Sem mudança: Pioneer, Modern, Pauper, Alchemy, Historic, Timeless, Brawl e Competitive Brawl
  • Vigência: 10 de agosto de 2026
  • Próximo anúncio: 12 de outubro de 2026

A equipe ainda vai destrinchar tudo isso no WeeklyMTG, na Twitch oficial do Magic, amanhã, 11 de agosto, às 10h da manhã no horário do Pacífico. Aqui no Brasil dá 14h.

Standard: o Selesnya Offense passou do ponto

Badgermole Cub, Avatar: The Last Airbender, banida no Standard pela banlist do Magic de 10 de agosto (Divulgação/Wizards of the Coast)
Badgermole Cub, Avatar: The Last Airbender, banida no Standard pela banlist do Magic de 10 de agosto (Divulgação/Wizards of the Coast)

Quem assinou a seção de Standard foi a Jadine Klomparens, e o diagnóstico dela é bem direto. Nos últimos meses o formato girou em torno de duas estratégias claramente à frente do resto: os decks verdes construídos em cima do Badgermole Cub e os decks azul-vermelho de mágicas que não são criatura.

Durante boa parte desse tempo a distância entre esses dois pilares e o resto do campo dava pra encarar, e a Wizards escreve que preferiu não banir nada justamente por isso. O verde foi mudando de roupa sozinho, passando dos decks de Ouroboroid pros de Nature's Rhythm e depois pros de landfall. O azul-vermelho rachou em Izzet Prowess, Izzet Lessons e Izzet Spellementals. Apareceram coisas novas, tipo Mardu Discard e Four-Color Control.

O que quebrou o equilíbrio foi um deck novo, o Selesnya Offense. É a variante verde mais forte que já apareceu, e ela junta duas coisas que normalmente não andam juntas: velocidade e resistência. A velocidade vem do Practiced Offense, de Secrets of Strixhaven. A resistência vem de terrenos utilitários e de um pacote de criaturas difícil de responder, com destaque pro Leatherhead, Swamp Stalker, que veio de Teenage Mutant Ninja Turtles, as nossas Tartarugas Ninja, e tem hexproof.

Practiced Offense, Secrets of Strixhaven (Divulgação/Wizards of the Coast)Leatherhead, Swamp Stalker, Teenage Mutant Ninja Turtles (Divulgação/Wizards of the Coast)Boomerang Basics, Avatar: The Last Airbender (Divulgação/Wizards of the Coast)Vivi Ornitier, Final Fantasy (Divulgação/Wizards of the Coast)

Practiced Offense; Leatherhead, Swamp Stalker; Boomerang Basics; Vivi Ornitier (Divulgação/Wizards of the Coast)

E aí vem o número que decidiu tudo. Segundo os dados do MTG Arena que a Wizards publicou, o Selesnya Offense tem a maior taxa de vitória do formato por uma margem larga, passando de 57%, e ao mesmo tempo é o segundo deck mais jogado. Isso é o oposto do normal: quanto mais gente joga um deck, mais o campo aprende a bater nele e mais a taxa de vitória cai. Deck que segura 57% de vitória com play rate alto é sinal de problema.

A comparação que eles mesmos fazem é a que dá o tamanho da coisa: o perfil de dados do Selesnya Offense é parecido com o que o Vivi Ornitier e o Agatha's Soul Cauldron mostravam na época em que o Vivi foi banido.

Por que o Badgermole Cub foi o escolhido

O Badgermole Cub custa 1 e um verde. Ele entra, faz earthbend 1, transformando um terreno seu numa criatura 0/0 com haste e um contador +1/+1 em cima, e depois adiciona mana extra sempre que você vira uma criatura pra produzir mana.

A Wizards define ele como uma ameaça barata que exige resposta imediata e que, se não for respondida, monta uma vantagem de mana impossível de alcançar. E o efeito colateral disso é o que mais me interessa: a pressão de ter que responder uma criatura de 2 de mana obriga o formato inteiro a valorizar eficiência de mana acima de tudo, o que comprime as curvas e empobrece a construção. Sai o Cub, o Standard respira.

Vale reparar numa coisa que a Wizards deixou escrita: eles não esperaram a temporada de RCQ de Standard começar pra confirmar o problema em papel. Preferiram agir com o dado de Arena na mão. Banir em Standard é a coisa que eles mais evitam fazer, então agir antes do torneio presencial mostra o tamanho do incômodo.

Stormchaser's Talent e Gran-Gran: derrubar o topo inteiro

Aqui está a parte mais inteligente do anúncio. Os dados apontavam três decks no topo em participação de metagame: o Selesnya Offense, o Jeskai Lessons e o Izzet Prowess. Se você tira só o verde, um dos dois azul-vermelho vira rei no dia seguinte. Então eles bateram nos três.

Stormchaser's Talent, Bloomburrow (Divulgação/Wizards of the Coast)
Stormchaser’s Talent, Bloomburrow (Divulgação/Wizards of the Coast)

O Izzet Prowess é rápido, agressivo e ainda assim interativo. A carta que sustenta isso é o Stormchaser's Talent, um encantamento Class de 1 de mana que entra criando uma Lontra 1/1 com prowess e, no nível 2, devolve instantânea ou feitiço do cemitério pra mão.

O argumento da Wizards é de design, não de metagame: uma carta de 1 de mana não deveria ser boa no começo e no fim do jogo ao mesmo tempo. A combinação com o Boomerang Basics é o que dava o late game. E eles admitem uma lição maior ali, que num Standard de três anos o pool fica grande demais pra conviver com prowess e com cartas que premiam mágica barata.

Gran-Gran, Avatar: The Last Airbender (Divulgação/Wizards of the Coast)
Gran-Gran, Avatar: The Last Airbender (Divulgação/Wizards of the Coast)

Já o Jeskai Lessons é a variante que quase nunca joga o Stormchaser's Talent, então tirar o Talent não resolveria. Esse deck é o mais jogado do Standard no Arena, e monta o late game com Tablet of Discovery e Jeskai Revelation. A carta escolhida foi a Gran-Gran, que custa 1 azul, compra e descarta sempre que vira, e ainda deixa suas mágicas que não são criatura 1 mais baratas.

A Gran-Gran cai no mesmo problema do Talent, sendo boa demais pro custo, e ainda tem um agravante: o Jeskai Lessons roda pouca criatura, então remoção de criatura fica quase morta contra o deck. Você é obrigado a responder a Gran-Gran, mas a carta que responde ela é ruim contra o resto da lista.

Pra quem não conhece: banir e restringir não são a mesma coisa

Carta banida simplesmente não pode ser usada naquele formato. Carta restrita pode, mas só uma cópia por deck, incluindo sideboard. Restrição só existe no Vintage, que é o formato onde a Wizards prefere segurar a carta na coleira em vez de proibir de vez, porque o Vintage é o lugar onde quase tudo é legal por princípio.

Se você está começando agora e não sabe qual formato é qual, dá uma olhada no nosso guia com todos os formatos de Magic explicados.

The Fantasticar sai do Legacy e vira uma cópia no Vintage

The Fantasticar, Marvel Super Heroes Commander (Divulgação/Wizards of the Coast)
The Fantasticar, Marvel Super Heroes Commander (Divulgação/Wizards of the Coast)

O The Fantasticar é um artefato lendário do tipo Veículo, custa 3 genéricos e veio do Marvel Super Heroes Commander, que saiu em junho. Carta de produto de Commander que acabou quebrando os dois formatos mais antigos do jogo.

Não é surpresa completa. No anúncio de 29 de junho a própria Wizards escreveu que já tinha notado a carta e que ela combinava bem demais com a mana rápida e os facilitadores de artefato incolor dos formatos eternos, avisando que agiria rápido se preciso. Agiu.

No Legacy a carta foi banida. No Vintage foi restrita, e a diferença faz sentido: o Vintage tem ferramenta pra conviver com uma cópia de coisa absurda, o Legacy não. A justificativa detalhada dos dois casos não veio no texto de hoje, e ficou pro WeeklyMTG de amanhã.

O que não mudou, e por quê

O restante do anúncio é longo, mas o resumo é que a Wizards olhou tudo e resolveu não mexer.

O Pioneer, escrito pela Arya Karamchandani, está com Izzet Spells e os decks verdes de Badgermole Cub no topo, com o Golgari Midrange como o mais popular. Só que o Golgari tem taxa de vitória modesta e matchups ruins claros, então a popularidade dele não incomoda.

O Modern, escrito pela Carmen Klomparens, acabou de passar pelo Pro Tour em Amsterdã. Boros Energy e Affinity foram os mais jogados, mas não converteram isso em vitória. Quem brilhou foi o Eldrazi Trudge do Ken Yukuhiro, com 65% de vitória no evento, e o Neoform do Yuuki Ichikawa, acima de 60%. A Wizards diz que está de olho no Neoform pela capacidade de ganhar no turno dois, mas que hoje ele está longe de ser problema.

Sneaky Snacker, Modern Horizons 3 (Divulgação/Wizards of the Coast)Bonder's Ornament, Commander Masters (Divulgação/Wizards of the Coast)Slumbering Trudge, Secrets of Strixhaven (Divulgação/Wizards of the Coast)Neoform, War of the Spark (Divulgação/Wizards of the Coast)

Sneaky Snacker; Bonder’s Ornament; Slumbering Trudge; Neoform (Divulgação/Wizards of the Coast)

No Pauper, o Gavin Verhey conta que o painel do formato passou o último mês olhando o Sneaky Snacker em eventos presenciais grandes e concluiu que o formato está variado. E o desbanimento em teste do Bonder's Ornament deu certo: a carta fica.

Nos formatos digitais, escritos pelo Dave Finseth, tudo estável. O Brawl teve seis banimentos em junho e a Wizards diz que o retorno dos jogadores foi positivo, com um detalhe curioso: a fila de partida ficou cerca de quatro segundos mais lenta, em troca de encontros mais parelhos.

Como os outros jogos fazem a mesma coisa

Cobrindo cinco jogos aqui, dá pra ver que cada um resolve o desequilíbrio de um jeito. O Yu-Gi-Oh! usa a Limit Regulation, que tem os três degraus de proibida, limitada e semi-limitada, e é a coisa mais parecida com a dupla banir e restringir do Magic. Inclusive o Mundial deste ano rodou com uma quarta lista, exclusiva do evento.

O Lorcana e o Pokémon TCG preferem o outro caminho, que é a rotação: em vez de proibir carta individual, empurram coleções inteiras pra fora do formato competitivo em data marcada. É mais previsível pro jogador e mais duro pra quem investiu.

O Magic faz os dois, porque tem rotação no Standard e banimento pontual em cima. Na minha leitura é o modelo que dá mais trabalho pra empresa e mais segurança pro formato, contanto que a mão venha rápido, que foi exatamente a crítica que o caso do Fantasticar levantou.

O que fazer com as cartas que você tem

  • Jogava Selesnya Offense: o Badgermole Cub sai, mas o Practiced Offense e o pacote de terrenos continuam legais. O esqueleto do deck sobrevive, só perde o motor de mana.
  • Jogava Izzet Prowess: sem o Stormchaser's Talent, o deck fica mais lento e mais frágil no jogo longo. Vale esperar a semana virar antes de refazer a lista.
  • Jogava Jeskai Lessons: a Gran-Gran era o motor de mana, e o Tablet of Discovery e o Jeskai Revelation continuam de pé. É o deck que menos perde estrutura.
  • Tem The Fantasticar: ela segue legal em Commander e no Vintage, ali na cota de uma cópia. Não vira papel.
  • Ia comprar alguma delas: não tem pressa. Carta que acabou de sair do Standard costuma demorar a achar o novo preço.

As quatro cartas estão na nossa galeria com o texto traduzido: Avatar: The Last Airbender, ou como nós BRs conhecemos, Avatar: A Lenda de Aang, Bloomburrow e Marvel Super Heroes Commander. E se você quiser refazer a lista antes do fim de semana, o deckbuilder de Magic já está com o banimento aplicado.

Agora me fala: você achou que três banimentos de uma vez foi exagero ou foi na medida? E o Fantasticar, era pra ter caído lá em junho? Comenta aí que eu quero ler.

Fonte: Banned and Restricted Announcement, 10 de agosto de 2026, no site oficial do Magic, com seções assinadas por Carmen Klomparens, Jadine Klomparens, Arya Karamchandani, Gavin Verhey e Dave Finseth. Custos, tipos e textos das cartas conferidos no Scryfall.

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